A ESCOLHA DO TEXTO PARA PREGAÇÃO

Por Conecteca da Vida

INTRODUÇÃO

Graça e paz,

A partir desta aula, nosso curso toma um formato mais prático e o aluno precisa pensar em “colocar a mão na massa”. Nas aulas anteriores, vimos quem é o pregador, o que é a mensagem, o que é um sermão, o que é pregação e o que devemos pregar. A parte mais importante, que inclusive demos bastante ênfase, foi o que pregar, pois esta é a vontade de Deus que preguemos sua Santa Palavra. 

Mas como escolher a passagem bíblica? Tem algum critério para isso? Quais são os maiores problemas a serem enfrentados? Quais as soluções? É disso que trata esta lição.

 

AS TRÊS PRÁTICAS VITAIS PARA A ESCOLHA CORRETA DO TEXTO BÍBLICO

Orar, meditar e estudar.

Um pregador jamais pode se esquivar destas três práticas: Orar, Meditar e Estudar.

Orar:

É imprescindível. É impossível fazer uma boa escolha do texto bíblico para pregar sem que haja oração por parte do pregador. Quando o pregador ora de fato, ele está demonstrando sua confiança no Espírito Santo. Ele está clamando o Espírito Santo para que lhe guie em cada passo, desde a preparação até a entrega do sermão. Uma mensagem preparada e pregada na dependência do Espírito Santo é poderosa para quebrantar o mais duro coração e forte o suficiente para alimentar a alma mais decadente.

É uma benção a ser buscada. A verdadeira oração é uma bênção a ser buscada e apropriada. O pregador deve aprender a orar corretamente. Se ele não souber orar corretamente jamais pregar fielmente. 

Há várias passagens que falam de oração, mas em Mateus 6.5-15 Jesus nos ensina a orar e até mesmo nos dá um modelo de oração. Veja que no início dessa passagem o Mestre nos ensina como NÃO devemos orar.

Se você pretende ser um pregador ou já é um pregador da Palavra de Deus, aproveite esse tempo de estudo em nosso curso para se dedicar mais a aprender qual é a oração que Deus aceita e como desenvolver uma prática de oração cada vez mais profunda.

É uma cultura mental. A oração deve se tornar uma cultura, um cultivo, da mente do pregador de forma que todas as fases, da preparação à entrega do sermão, estejam banhadas e ungidas pela oração. Esta é a única maneira de sermos fiéis a Deus como pregadores.

Meditar:

Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite”.(Salmos 1:2). 
Além da cultura da oração o pregador deve ter a cultura da meditação.

O que é Meditação. O sentido em que usamos a palavra meditação aqui pode ser explicado por uma passagem bíblica. Mateus 6:28-30:

E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam;
E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.
Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé?

Embora esta não seja a lição pretendida do texto, já que Jesus está ensinando a confiança no Pai para a libertação de uma vida ansiosa, podemos ver que o Mestre tinha a prática de olhar(observar, refletir, meditar, contemplar) os lírios do campo. Ele via a beleza e a fragilidade dessas plantas. Ele via o cuidado que o Pai tem com cada uma delas. Vemos também que Ele os compara com as vestes de Salomão, isto é, Ele conhecia as Escrituras Sagradas do Antigo Testamento faz referência a elas. Podemos ver também que o Senhor Jesus faz uma inferência lógica do menor para o maior, ou seja, da erva do campo que não vale quase nada para a vida humana com o maior, o cuidado com a vida dos filhos de Deus. Ele tira uma lição prática.

Como desenvolver a meditação. Absorva a Palavra e observe o mundo a sua volta. Seja um observador cuidadoso. Que habite ricamente em você a palavra de Cristo e que você observe bem as coisas, a vida e as pessoas à sua volta.

Estudar:

Esta é a parte mais trabalhosa e muitos preferem evitá-la. É comum encontrarmos pessoas que acreditam ser o estudo uma atividade carnal e mundana e ainda utilizam textos mal interpretados para se justificar. Mas o que vemos na palavra de Deus é bem o contrário; os bereianos, por exemplo, foram elogiados pelo exame das Escritura:

“Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.(Atos 17:11).

A recusa em estudar está longe de ser uma atitude espiritual que agrada a Deus, é antes uma atitude de falta de humildade. Quem estuda e pesquisa enriquece seu coração com a Graça de Deus que foi derramada também à outros irmãos, muitos deles em outros lugares e em outras épocas.

É tratando da parte do estudo que vamos agora lidar com a escolha do texto de modo mais direto.

UM DILEMA A SER RESOLVIDO

Como escolher um texto para pregar? O primeiro dilema a ser resolvido nesta questão tem a ver com a motivação e o caminho para a escolha do texto. Vamos explicar isso de uma forma mais fácil. Já ouviu falar do pregador “lançador de granadas” e do pregador “ET”? Não?

O pregador “lançador de granadas” é aquele que parece fazer do púlpito uma trincheira para se esconder, enquanto lança lições de moral(granadas) em ouvintes específicos. Desta forma, os ouvintes sabem muito bem que o pregador fez um sermão para criticar os erros de alguns ouvintes.

O pregador “ET” é aquele que está tão desconectado da realidade da comunidade. Num culto de enlace matrimonial ele prega sobre dízimos e ofertas.

O pregador “lançador de granadas” e o pregador “ET” representam dois grandes extremos que devemos evitar. O primeiro está tão envolvido com as demandas da comunidade que esquece-se de pregar a Palavra de Deus conforme a vontade de Deus. O segundo está tão alheio à comunidade que Deus lhe confiou o cuidado de pregar, que ele ignora o que se passa no meio do povo de Deus.

Estes são dois grandes problemas:

Escolhe-se o texto pensando somente na comunidade

 ou 

somente pensando no texto, ignorando a comunidade?

 

Noutras palavras para facilitar. José irá pregar na igreja dele na próxima semana. José espera que na leitura devocional que ele faz todos os dias surgirá um texto que o motive e o direcione na pregação. João também irá pregar na igreja dele na próxima semana, mas João, diferente de José, tem percebido o esfriamento da sua igreja para com o evangelismo pessoal e tudo o que ele precisa é de uma porção da Bíblia para pregar sobre o assunto.

Qual deles está correto em sua maneira e motivação de escolher do texto?

Podemos dizer que ambos, mas com algumas ressalvas importantíssimas.

José somente estará correto se tomar o cuidado de sua mensagem não ficar alienada das necessidades do povo, uma vez que o pregador é um despenseiro que da sua despensa tira o alimento para as pessoas.

João também estará correto se cuidar para não usar o texto bíblico apenas como um pretexto. Ele deve ter absoluta certeza que o texto escolhido é a resposta de Deus para aquilo que a igreja está necessitando.

UNIDADE EXPOSITIVA

Qual a extensão da passagem na qual a pregação se baseará? Cremos que a melhor resposta em a “unidade expositiva”. O que vem a ser isso?

Bryan Chapell, no seu excelente livro “Pregação Cristocêntrica”, página 57, nos dá uma definição:

“Uma unidade expositiva é uma maior ou menor porção da Escritura, da qual o pregador pode demonstrar uma única verdade espiritual com o apoio de fatos ou conceitos que se encontram dentro desse texto”.

Vamos por pontos explicar o que ele definiu. Vejamos:

“Maior ou menor porção da Escritura”: Observe que deve haver uma certa flexibilidade na extensão da porção. Vamos dar dois exemplos aqui e vamos usar parábolas, pois parábolas são unidades expositivas. Uma parábola geralmente ensina uma só verdade espiritual.
O tesouro escondido (Mt 13.44) – Veja que esta é uma parábola de extensão curtíssima que nos ensina sobre o Reino de Deus como um tesouro valiosíssimo.
Os talentos (Mt 25.14-30). O contrário da parábola do tesouro escondido é a parábola dos talentos. A extensão dela vai do verso 14 ao 30. Esta parábola ensina que os servos de Deus devem ser fiéis, administrando o que lhes foi confiado com dedicação até o dia final

Note que cada uma das parábolas ensina uma só coisa. Mesmo sendo iguais na quantidade de lição, são diferentes na extensão do texto.

“Demonstrar uma única verdade espiritual”. Veja que este método não engessa o pregador, mas lhe dá um foco melhor. Você poderá ter mais de uma porção de texto, conquanto tenha uma única verdade espiritual. Veja outro exemplo com duas parábolas.

Também o reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo”.(Mt. 13.44)

Outrossim, o reino dos céus é semelhante ao homem, negociante, que busca boas pérolas; E, encontrando uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo quanto tinha, e comprou-a”. (Mt. 13.45-46)

As parábolas Tesouro Escondido e Pérola de Grande Valor, possuem a mesma verdade espiritual: O Reino de Deus é o tesouro ou a pérola de valor inestimável que nos motiva a despreender de qualquer coisa para recebê-lo.

Você poderia usar os dois textos, isto é, as duas parábolas para um único sermão, já que ambos ensinam a mesma coisa.

“Com o apoio de fatos ou conceitos que se encontram dentro desse texto”:

Continuando com as parábolas de Mt.13.44-46 podemos ver alguns fatos importantes:

O Reino de Deus é de um valor tão inestimável:

  • Que conquista todas as classes de pessoas, do camponês ao negociador de pérolas;
  • Que atrai quem busca grandes tesouros(negociador) até quem não busca nada(camponês);
  • Que produz uma reação imediata nos apreciadores(“escondeu”-v44; “foi”-v46).
  • Que leva a pessoa que o encontrou a despreender-se do que necessário for para obtê-lo(“vendeu tudo quanto tem” e “vendeu tudo quanto tinha”)

Estes fatos observados no texto acima, podem ser alguns argumentos tirados do próprio texto para mostrar uma única verdade espiritual: O Reino de Deus é o tesouro ou a pérola de valor inestimável que nos motiva a despreender de qualquer coisa para recebê-lo.

Uma ÚNICA VERDADE Espiritual tirada do Texto para formular um ALVO prático para PREGAR

alvo do sermão

Figurinha tirada do livreto “Manual para Pregadores Iniciantes” da Edições Vida Nova

DICAS E TÉCNICAS RÁPIDAS PARA DELIMITAR O TEXTO:

A maioria das bíblias sinaliza limites de textos(unidades expositivas) que o aluno faz bem em observá-los. Exemplos:

  • Títulos e Subtítulos: são geralmente colocados pelos tradutores para mostrar um assunto novo ou um assunto dentro de outro.
  • Primeira letra em negrito: quando você vê um versículo iniciando com uma letra maiúscula e negritada, certamente é o início de um parágrafo. Parágrafos geralmente contêm uma unidade expositiva.
  • Marca de parágrafo: a tradicional marca de parágrafo, que é um espaço em relação à margem esquerda na primeira linha, pode ser um sinal usado pela bíblia para um limite de assunto e, portanto, uma unidade expositiva.
  • O sinal de “¶” pode ser uma marca também para o limite de parágrafo.
  • Por fim, temos os capítulos.    
 

CONCLUSÃO:

Antes de escolher a passagem bíblica para basear o sermão o pregador precisa ter certeza de que seu coração tem sido bem preparado. Para isso é bom que se pratique a oração, a meditação e o estudo da bíblia, isto é, ter uma prática devocional diária.

Para que se evite devaneios e motivações erradas na hora de escolher o texto, faz-se necessário aliar à prática devocional uma observação das demandas da congregação/ouvintes.

Por fim, a delimitação da passagem textual pode ser feita pelo conceito de “unidade expositiva”. Esta “unidade expositiva” é um texto maior ou menor com uma única verdade espiritual, sendo apoiada por fatos ou conceitos dentro do próprio texto.

Observe bem as dicas técnicas dos tradutores da bíblia e como bônus, leia o texto de John Stott sobre Como Escolher um Texto Bíblico para Pregar.

Paz!

Conecteca da Vida

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