Aula 09 - 1 - Interpretação do Pensamentos - Figuras do Pensamento

AULA 09 - PARTE I - INTERPRETAÇÃO DO PENSAMENTO - FIGURAS DO PENSAMENTO

NOTA DE ESCLARECIMENTO

 

Graça e paz irmãos,

 

Estamos numa sequência fundamental de aulas sobre interpretação bíblica. Esta sequência a qual me refiro, são as aulas 07(interpretação histórica), 08(interpretação das palavras) e agora 09(Interpretação do pensamento). Ainda virá a aula 10(interpretação teológica), está mais abrangente. É ALTAMENTE RECOMENDÁVEL UMA PARTE DE CADA VEZ COM PERSEVERANÇA E DEDICAÇÃO.

 

Recordo a você que estamos seguindo o Método de Interpretação Histórico-Gramatical, que foi o que mais contribuiu para a Igreja em toda história eclesiástica e nosso objetivo é introduzi-lo à Pregação Expositiva, os estilo de pregação que é mais rico, profundo, abençoador, mas também, trabalhoso.




Vamos à nossa aula:

 

INTRODUÇÃO

A partir da interpretação das palavras isoladas, prosseguiremos com a das palavras em sua relação mútua, ou do pensamento.

Vamos trabalhar nesta aula com a forma do pensamento, pois o conteúdo do pensamento é exatamente a junção da Interpretação Histórica(07) com a Interpretação Teológica(10).

Esta aula(09) poderia ser chamada também de INTERPRETAÇÃO “LÓGICA”, porque esta interpretação pressupõe que a linguagem da bíblia é fruto da Providência da Mente Divina e da mente humana.

 

Em qualquer parte da Bíblia, há evidências de que a linguagem é lógica. Por essa razão Berkof enumera quatro considerações a serem feitas do pensamento expresso na forma de linguagem e que se tornaram nossa linha de estudo em quatro partes desta aula 09. são:

 

(1) as expressões idiomáti­cas e as figuras de pensamento especiais,

(2) a ordem das palavras numa sen­tença,

(3) o significado especial de vários casos e preposições,

(4) a ligação lógica das diferentes orações e sentenças, e

(5) o curso do pensamento numa seção inteira.



 

[ Esta aula será sobre FIGURAS DE PENSAMENTO. Atenção: VOCÊ NÃO PRECISA MEMORIZAR CADA FIGURA DE LINGUAGEM, BASTA SABER O SUFICIENTE PARA IDENTIFICÁ-LAS. Para isto, após estudar esta aula, lendo cuidadosamente uma ou mais vezes, passe a fazer suas leituras bíblicas, PRESTANDO ATENÇÃO PARA VER SE NÃO ESTÁ DIANTE DE UMA FIGURA DE LINGUAGEM. Sempre que ler um texto e desconfiar demais da expressão, você pode estar diante de uma figura de linguagem. Esta aula é para ajudá-lo a ter essa percepção. ]

 

 

01- FIGURAS DE PENSAMENTO

EXPRESSÕES IDIOMÁTICAS

Você já deve ter ouvido ou mesmo falado “Aqui é que a porca torce o  rabo”, não é mesmo? Isso é uma expressão idiomática da nossa língua portuguesa, e significa que nos encontramos com um problema.

Veja outros exemplos:

“Ele tem sangue azul”

“Ele fica cantando de galo”

“Isso é uma pedra no meu sapato”

Você conseguiu entender as expressões acima?

Toda língua tem expressões idiomáticas. No inglês pode ser encontradas inúmeras, veja uma expressão:

‘When pigs fly’ – Numa tradução literal seria: “Quando porcos voarem”. Mas quer dizer que é algo que nunca vai acontecer. Nós também traduzimos como “No dia de São Nunca”.

 

A língua hebraica não é exceção à regra e algumas das suas expres­sões idiomáticas foram transportadas para o Novo Testamento(grego).

Vejamos alguns exemplos:

Lemos em 1 Sm 2.3: “Não multipliqueis, não falareis”. Isso evidentemente significa, não multipliqueis palavras.

Na sua de­fesa diante do Sinédrio, Paulo diz: “… no tocante à esperança e à ressurreição dos mortos sou julgado” (At 23.6). O sentido é: “por causa da esperança da ressurreição…”.

Assim, também, um substantivo no genitivo frequentemente ocupa o lugar de um adjetivo.

O argumento de Moisés em objeção à sua comis­são foi de que ele não era um “homem de palavras”, isto é, um homem elo­quente (Ex 4.10).

Em 1 Ts 1.3, Paulo fala “da firmeza da vossa esperança”, quando queria dizer sua esperança firme, esperança caracterizada pela paci­ência

Cf. Mt 24.22; Mc 13.20; Lc 1.37; Jo 3.15,16; 6.39; 12.46; Rm 3.20; 1 Co 1.29; Gl 2.16; 1 Jo 2.21; Ap 18.22.

02- OUTRAS FIGURAS DE PENSAMENTO:

 

a.     Algumas figuras promovem uma representação viva da verdade.

 

1.   A símile.

Como é vivido o quadro da completa destruição no SI 2.9: “… e as despedaçarás como um vaso de oleiro”; e a da completa solidão em ls 1.8: “A filha de Sião é deixada como choça na vinha”. Cf. também SI 102.6; Ct 2.9.

2.  A alegoria.

A alegoria, que é meramente uma metáfora ampliada e deve ser interpretada pelos mesmos princípios gerais. Encontramos exemplos no SI 80.8- 15 e em Jo 10.1 -18. Terry faz a seguinte distinção entre a alegoria e a parábola: “A alegoria é um uso figurado e aplicação de algum fato presumível ou história, ao passo que a parábola é, ela mesma, o fato presumível ou a história. A pará­bola usa palavras no seu sentido literal e sua narrativa nunca ultrapassa os li­mites do que poderia ter sido fato real. A alegoria continuamente usa as pala­vras num sentido metafórico e sua narrativa, embora presumível em si mesma, é manifestamente fictícia”.

 

b.   Outras figuras promovem brevidade de expressão.

 

Elas são o re­sultado de uma rapidez e energia do pensamento do autor, que denota um dese­jo de omitir todas as palavras supérfluas. (A lista abaixo nos é dada por Berkof)

1.  A Elipse

 

A elipse, que consiste na omissão de uma palavra ou palavras neces­sárias para se completar a construção de uma sentença, mas não requeridas para o entendimento desta. Moisés ora, “Volta-te, Senhor! Até quando?” (tu nos desampararás?) As sentenças curtas, abruptas, revelam a emoção do po­eta. Para outros exemplos, cf. 1 Co 6.13; 2 Co 5.13; Êx 32.32; Gn 3.22.

2.   A Branquilogia

 

A braquilogia, também uma forma de discurso concisa ou abreviada, consiste especialmente na não-repetição ou na omissão de uma palavra, quando sua repetição ou seu uso seria necessário para completar a construção gramati­cal. Nessa figura, a omissão não é tão evidente quanto na elipse. Assim Paulo diz em Rm 11.18: “Não te glories contra os ramos; porém se te gloriares, sabe que não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz (sustenta) a ti”. Note também 1 Jo 5.9: “Se admitimos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior”.

3. A Constructio Praegnans

A Constructio Praegnans, no qual a preposição é ligada ao verbo expresso embora pertença, realmente, ao verbo não-expresso, que é incluído em outra como seu resultado. Por exemplo, no SI 74.7, lemos: “Deitam fogo no teu santuário;profanam a morada do teu nome até ao chão”. O pensamento deve ser completado de algum modo como arrasando ou queimando-o até ao chão [isso foi feito na ARA], Paulo diz em 2Tm 4.18: “ele (o Senhor) me salvará (e me levará [que a ARA já incluiu]) para o seu reino”.

 

4. A zeugma

A zeugma, que consiste de dois substantivos construídos com um ver­bo, embora apenas um – geralmente o primeiro – se ajuste ao verbo. Assim, le­mos literalmente em 1 Co 3.2: “Leite vos dei a beber, não vos dei alimento sólido”. E em Lc 1.64 lemos a respeito de Zacarias: “E sua boca foi imediatamente aberta, e sua língua” [na versão ARA aparece: “Imediatamente, a boca se lhe abriu, e, desimpedida a língua”]. Ao fornecer as palavras que faltam, o intérpre­te deve tomar muito cuidado a fim de não mudar o sentido do que foi escrito.

   

c.   Outras figuras almejam suavizar uma expressão.

 

Elas são expli­cadas pela delicadeza de sentimento ou modéstia do autor.

1. O eufemismo

O eufemismo consiste em substituir uma palavra que expressa com mais exatidão o que se queria dizer por outra menos ofensiva. “Com estas pa­lavras adormeceu” (At 7.60).

2. A litote

A litote afirma algo pela negação do oposto. Assim, o salmista canta: “coração compungido e contrito não o desprezarás, ó Deus” (SI 51.17). E lsaías diz: “Não esmagará a cana quebrada, nem apagará a torcida que fumega” (ls 42.3).

3. A meiose

A meiose está intimamente relacionada à litote. Algumas autoridades associam as duas; outros consideram a litote como uma espécie de meiose. Ela é uma figura de linguagem na qual é dito menos do que se queria dizer. Cf. lTs 2.15;2Ts3.2;Hb 13.17.

 

d.  Finalmente, há figuras que dão mais ênfase a uma expressão ou a fortalecem.

 

Elas podem ser o resultado de uma indignação justa ou de uma imaginação viva.

1. A ironia

A ironia contém censura ou escárnio disfarçado de louvor ou elogio. Cf. Jó 12.2; IRs 22.15; ICo 4.6. Há casos na Bíblia em que a ironia se trans­forma em sarcasmo. Cf. 1 Sm 26.15; 1 Rs 18.27; 1 Co 4.8.

2. A epizêuxis

A epizêuxis fortalece uma expressão pela simples repetição de uma palavra (Gn 22.11; 2Sm 16.7; ls 40.1).

  

3. A hipérbole

A hipérbole ocorre frequentemente e consiste de um exagero retórico (Gn 22.17; Dt 1.28; 20 28.4).

Deixe seu comentário aqui: