Aula 09 - 2 - Interpretação do Pensamento - Ordem das Palavras

AULA 09 - PARTE II - A ORDEM DAS PALAVRAS - INTERPRETAÇÃO DO PENSAMENTO

INTRODUÇÃO

A maneira de cada pessoa escrever deixa indícios de sua forma de pensar e é possível descobrir isso se conhecermos a língua em que essa pessoa está escrevendo. Uma vez que estamos estudando a Bíblia, o mais indicado seria conhecer as línguas nas quais a Bíblia foi escrita(no caso, HEBRAICO e GREGO, já que o ARAMAICO são apenas algumas pequenas porções).

Espere um pouco! Isso não quer dizer que, somente quem conhece as línguas originais pode fazer uma boa interpretação. De maneira alguma, estamos dizendo isso! E o objetivo dessa aula é mostrar um caminho para aqueles que não conhecem nada de GREGO e HEBRAICO, de como fazer uma boa interpretação e apresentar recursos que o ajudem nessa tarefa.

Caso você queira pesquisar mais e aprofundar no assunto, use “sintaxe do HEBRAICO bíblico”, “Sintaxe do GREGO bíblico” ou “Sintaxe das línguas originais da bíblia”. 

 

UMA VISÃO GERAL

O estudo da sintaxe das línguas originais da bíblia é assunto extenso. Mas vamos procurar resumir em poucas palavras para que o aluno tenha uma visão geral.

Quando falamos sobre ordem das palavras temos em mente um ENUNCIADO, mais propriamente uma FRASE (VEJA A AULA DO PROFESSOR FABIO ALVES). Em um enunciado se organiza as palavras de tal maneira que se possa transmitir uma mensagem.

Por esta razão, devemos estar atentos às sentenças(ou frases”, enunciados de sentido completo) para que possamos descobrir qual era o pensamento do autor ao escrever seu texto.

Veja nestes exemplos da vida comum, como mudanças no enunciado podem afetar fortemente o sentido.

 

 

DEFINIÇÕES

A sintaxe trata do modo como os pensamentos são expressos por meio de formas gramaticais. Cada língua tem sua própria estrutura, e um dos problemas que tanto dificultam a aprendizagem de outra língua é que o estudante deve dominar não só as definições e pronúncias das palavras da nova língua, mas também novos modos de dispor e demonstrar a relação de uma palavra com outra.

A língua portuguesa é analítica: a ordem das palavras é um guia para o significado. Por exemplo, os substantivos normalmente precedem os verbos, os quais normalmente precedem os complementos. Dizemos “a árvore é verde” de preferência a alguma outra combinação dessas palavras. O hebraico é, também, uma língua analítica, porém menos do que o português. O grego, pelo contrário, é uma língua sintética: o significado é entendido apenas parcialmente pela ordem das palavras e muito mais pelas terminações da palavra ou pelas terminações de casos.

EXEMPLOS USANDO FRASES COMUNS E TEXTOS BÍBLICOS

EXEMPLO 01: Observe esses dois enunciados:

  • Reformaram a mesa do consultório no qual realizo os atendimentos.
  • Reformaram a mesa do consultório na qual realizo os atendimentos.

Notou que a única diferença é entre duas palavras “no” e “na”?

Isso muda a ênfase que o autor queria ressaltar. Na primeira, ele retoma o consultório, “no qual”. Na segunda ele retoma a mesa, “na qual”.

EXEMPLO 02: Veja este outro exemplo de ênfase:

  • Ele não aumentou o salário dos funcionários, apesar das muitas reivindicações.
  • Apesar das muitas reivindicações, ele não aumentou o salário dos funcionários.

A forma mais costumeira de se escrever é a primeira, mas na segunda, vemos que o autor queria enfatizar as “muitas reivindicações” que foram feitas.

Atentar-se para isso é de grande importância na interpretação do texto bíblico. Muitas vezes, a observação de uma palavrinha pode lançar brilho em uma passagem inteira. Vejamos dois exemplos bíblicos.

EXEMPLO 03:

Leia esta passagem bastante conhecida (Mateus 11.28-30):

28- “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.

29- Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.

30- Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

(Mateus 11:28-30)

No verso 29 temos a sentença: “aprendei de mim”. Jesus poderia ter dito “aprendei comigo”, mas não. Ele disse: “de mim”. Mostrando que Ele é a fonte da sabedoria e do conhecimento que precisamos para a vida.

EXEMPLO 04: Explicação e exemplificação de Berkof para o Hebraico e para o Grego.

HEBRAICO

“O arranjo de várias palavras numa sentença”, diz Winer, “é, em geral, determinado pela ordem em que os conceitos são formados e pela relação mais estreita que certas partes da sentença têm com outras”.

No entanto, acontece frequentemente de os es­critores bíblicos, por alguma razão, desviarem-se do arranjo usual.

Em alguns casos eles fazem isso em busca de um efeito retórico; em outros, para levar certos conceitos a uma relação mais estreita com os outros. Mas há também casos em que o desejo de enfatizar uma certa palavra conduz à sua transposi­ção. Esses exemplos são particularmente importantes para o intérprete. O con­texto irá, geralmente, revelar a razão pela qual a mudança foi efetuada.

Na sentença verbal hebraica, a ordem regular é essa; predicado, sujeito, objeto.

Se numa sentença o objeto se encontra em primeiro lugar, ou o sujeito for colocado no começo ou no fim, é altamente provável que eles sejam enfá­ticos.

O primeiro lugar é o mais importante da sentença, mas a palavra enfática pode também ocupar o último lugar.

Harper dá as seguintes variações da or­dem usual:

  1.    objeto, predicado, sujeito, que enfatiza o objeto (1 Rs 14.11);
  1.    objeto, sujeito, predicado, que, de igual modo, enfatiza o objeto (Gn

37.16);

  1.     sujeito, objeto, predicado, que enfatiza o sujeito (Gn 17.9); e
  1.    predicado, objeto, sujeito, que também enfatiza o sujeito (1 Sm 15.33).

Nas sentenças nominais, que descrevem mais uma condição do que uma

ação, a ordem usual é: sujeito, predicado, sempre que o predicado for um subs­tantivo. A ordem regular é encontrada, por exemplo, em Dt4.35, “Jeová (Ele) é Deus”. Mas em Gn 12.13, o autor se desvia do arranjo usual: “Dize, pois, que és minha irmã”. Aqui a ênfase está no predicado.

A língua hebraica tem, ainda, meios mais efetivos de expressar ênfase. A função do infinitivo absoluto nessa circunstância é tão conhecida que não precisa de ilustração. A maior proeminência é dada ao substantivo, permitindo que ele seja colocado absolutamente no início da sentença e, então, represen­tando-o, no seu lugar próprio, por um pronome. Cf. Gn 47.21: “… ao povo ele o escravizou” e SI 18.3: “Senhor,… digno de ser louvado”. Algumas vezes, urna idéia é expressa primeiramente por um pronome e, então, reassumida por um substantivo, como em Js 1.2, “… à terra que dou a eles, os filhos de Israel” (co­mo ocorre na edição em inglês usada pelo autor).

GREGO

Princípios semelhantes se aplicam na interpretação do Novo Testamen­to. Na língua grega, o sujeito com seus modificadores ocupam geralmente o primeiro lugar: seguem-se o predicado com seus adjuntos. O objeto normal­mente segue o verbo: um adjetivo, o substantivo ao qual pertence; e um genitivo, seu substantivo regente.

Se a ordem for mudada, isso significa, com toda a pro­babilidade, que foi dada ênfase a alguma palavra. Esse é claramente o caso, em que o predicado se encontra em primeiro lugar, de Rm 8.18, “… que não são para comparar às aflições do presente” . Cf. também Mt 5.3-11; 2Tm 2.11.

Para o mesmo propósito, o obje­to é, algumas vezes, colocado na frente, como em Lc 16.11, “… a verdadeira (ri­queza) quem vos confiará?”

Notamos que é importante que você use para este estudo uma tradução da bíblia que siga a ordem do hebraico ou do grego – Veja uma indicação em RECURSOS.

ALGUNS RECURSOS PARA OBTER INFORMAÇÕES DA SINTAXE

Há diversos instrumentos úteis para se descobrir que informação a sintaxe pode trazer para nossa compreensão do significado de uma passagem.

BÍBLIAS  INTERLINEARES

Estas bíblias contêm o texto hebraico ou grego com a tradução impressa entre as linhas (daí o nome interlinear). Justapondo-se os dois conjuntos de palavras, elas capacitam o estudante a indicar facilmente a palavra (ou palavras) hebraica ou grega que ele deseja estudar. (Os mais competentes em hebraico e grego podem, é claro, ir diretamente aos textos originais em vez de recorrer aos interlineares.)

Há alguns recursos gratuitos que você pode usar. Em um deles diz respeito a alguns softwares que você pode instalar em seu computador, neles você pode conseguir bíblias interlineares VEJA AQUI NESTE ARTIGO.  Outro recurso que indicamos é um site que disponibiliza a bíblia interlinear para você ler ou baixar em PDF. É o SCRIPTURE, porém, você precisará de um conhecimento substancial de INGLÊS(Veja AQUI).

 

LÉXICOS ANALÍTICOS

Muitas vezes a palavra que encontramos no texto é uma variação da forma radical da palavra. Por exemplo, em português poderíamos encontrar várias formas do verbo entregar:

entregou

entregado

entregue

entregaremos

Os substantivos, de igual modo, podem assumir formas diferentes e desempenhar papéis diferentes nas sentenças.

Um léxico analítico faz duas coisas fundamentais:

(1) aponta a palavra primitiva ou o radical da qual a palavra no texto é uma variante, e

(2) indica qual a parte do discurso é a variação. Por exemplo, se a palavra que queremos estudar é o vocábulo grego humon consultando um léxico grego analítico verificaremos que este é o acusativo singular da palavra thumos que significa “raiva” ou “ira”.

Gramáticas hebraicas ou gregas.

Se desconhecemos o significado da expressão “acusativo singular” que descreve a forma de uma palavra, será valioso ter um terceiro conjunto de auxílios gramaticais. As gramáticas hebraicas e gregas explicam as várias formas que as palavras podem tomar em suas respectivas línguas, e o significado das palavras quando aparecem numa dessas formas. Quase todos os cursos de seminário sobre exegese descrevem os processos acima com maiores detalhes.

É importante saber como obter êxito nos processos acima quando há necessidade de fazê-lo. Contudo, grande parte deste trabalho já foi feito e compilado.

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