Aula 02 - Objetivos do Sermão - Conecteca da Vida

AULA 02 – O OBJETIVO DO SERMÃO

 

Introdução

Na aula anterior, vimos que o pregador deve pregar a Palavra de Deus, nada mais que a Palavra. Este é um ponto fundamental e o aluno não deve esquecer-se jamais dele. Na prova final deste curso você terá uma questão sobre isto.

Com este ponto fundamental já estamos bem próximo de definir o objetivo do sermão, porém é preciso deixar alguns termos bem claros para que ninguém confunda as coisas.

Palavra de Deus, mensagem, sermão e pregação

Vamos definir esses termos de modo bem simples, de maneira que um recém-convertido possa compreender. Acredito que você se surpreenderá com a simplicidade da explicação abaixo.

  1. Aqui temos “Palavra de Deus”. De quê se trata isso?

Como já dissemos anteriormente, neste curso entendemos ser a Bíblia a “Palavra de Deus”. A Bíblia não apenas contém a Palavra de Deus, ela é a Palavra de Deus. Claro, não queremos dizer que quando ela(a Bíblia) nos conta sobre uma coisa grave, como é o caso do adultério de Davi, a “Palavra de Deus” para nós é que adulteremos também. Óbvio que não! Quer dizer que há nesse registro dramático lições maravilhosas de como Deus é Santo, Justo, Bom, Gracioso, Misericordioso, Bondoso, Terrível em seus juízos e Fiel às suas promessas, de como Ele redime os seus, de como Ele e só Ele faz com que “todas as coisas cooperem para o bem daqueles que o amam, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”(Rm. 8.28). A Bíblia é “Palavra de Deus” mesmo nestas passagens, mostrando como as esperanças postas nos homens são todas fúteis, mostra como até mesmo os servos de Deus considerados “homens segundo o coração de Deus” são fracos e incapazes, como somos dependentes da Graça Imerecida do Eterno, como os mais brilhantes de nós podem se tão vis. A Bíblia, em passagens como estas, mostram como Deus é Poderoso Redentor(leia como deve ser lido, vamos colocar em caixa alta: PODEROSO REDENTOR!), como Ele nos perdoa graciosamente e nos resgata do mais vil pecado, como Ele ergue seus filhos para mostrar seu poder, seu caráter, sua beleza e como Ele dá um rumo para todas as coisas embora, do nosso ponto de vista, tudo esteja perdido. Para compreender tudo o que falamos leia o Salmo 51 que foi escrito tendo como pano de fundo a história trágica do adultério de Davi. (Quando falarmos sobre mensagem, tenha em mente este parágrafo) 

A Bíblia é a Palavra de Deus, pois ela é o registro dos feitos de Deus para com o seu povo e para com toda criação e é a expressão da verdade e vontade de Deus para nós e de como Ele planeja e deseja se relacionar conosco.

Há um problema para lidar aqui nesta altura da aula. Tanto aqueles que crêem na contemporaneidade dos dons, quanto aqueles que não creem, ambos terão que enfrentar a seguinte questão: É a Bíblia a “única regra de fé e prática”? Então você terá que decidir se vai pregar o que está na Bíblia ou se pregará o que está na Bíblia mais(+) “revelações” ou pregará somente “revelações”.

Mas lembre-se de que você é responsável diante de Deus por aquilo que você chama de “Palavra de Deus”. Se você chamar “revelações” e “profecias” de “Palavra de Deus” ou se tratar alguma outra coisa qualquer como “Palavra de Deus” terá que responder isso ao próprio Deus. Esteja certo de que Ele irá cobrar isso de cada um de nós(Ap. 22.18-19).

Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste

e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus.

Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça,

a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”.

(2 Timóteo 3.14-17)

Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro;

e, se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, da cidade santa e das coisas que se acham escritas neste livro”.

(Ap. 22.18-19)

Lembre-se também que o pregador deve pregar “a Palavra” de Deus e, portanto, ele tem que ter bem claro na sua mente o que é “a Palavra de Deus”.

  1. Mensagem. Com mensagem queremos dizer os ensinamentos tirados da Bíblia sejam diretamente ou deduzidos. Vamos à um exemplo prático?

Quando Jesus tomou uma criança e colocou-a entre os discípulos insistindo com eles de que deveriam se tornar como criança(Mt. 18.1-6), que ensinamento Ele nos dava? Humildade. Os discípulos estavam disputando (supostas) posições no Reino de Deus. E aí já teríamos muitas outras mensagens.

É preciso lembrar que uma mensagem de Deus pode ter mais de uma lição. Quando Jesus lavou os pés dos discípulos(João 13.1-17), com este ato Ele não ensinava apenas sobre humildade, mas também sobre serviço, dentre outras lições.

Muito bem, você pode ter lido um texto da Palavra de Deus e pode ter compreendido qual é a mensagem de Deus, mas agora você como pregador tem outra tarefa: como apresentar essa mensagem? É exatamente aqui que entra nossa próximo termo, sermão.

  1. Sermão. O sermão é a mensagem bem elaborada, contextualizada aos tempos atuais, preparada para ser entregue de maneira inteligível.

Vamos usar uma figura de linguagem aqui. Suponhamos que você receberá seus amigos quem vêm de uma longa viagem em sua casa e deverá servir um jantar para alimentá-los. Como você faria isso? Compraria um pacote de feijão, outro de arroz, outro de macarrão, um pacote de sal, o alho, o óleo e os legumes e os colocaria sobre a mesa servindo-os como eles vieram do mercado ou os levaria à cozinha, você prepararia um jantar e só depois serviria aos amigos? A resposta é óbvia. Você prepararia o jantar, não é mesmo?

Muito bem, o sermão é como o jantar preparado na cozinha. Assim como você não pode servir os alimentos vindos do mercado sem passar pela cozinha, não é sensato servir uma mensagem sem um sermão.

  1. Pregação. Se a mensagem são como os alimentos vindos do mercado, se o sermão é como jantar preparado na cozinha, então você já sabe o que é a pregação nesta ilustração, é o ato de servir o jantar, ou seja, a entrega do sermão aos ouvintes; que também não pode ser feita de qualquer maneira.

PERFIS DE PREGADORES E TIPOS DE SERMÃO

Perfis de pregadores

É extremamente importante aqui o aluno ter a correta noção sobre tipos de sermões e perfis de pregadores. Usando ainda a nossa analogia da preparação de um jantar pense no seguinte:

Se um cozinheiro for mais alegre que outro isso faz com que ele deixe de ser um verdadeiro cozinheiro? Não. Assim também ocorre com o pregador.

Se um cozinheiro não faz o seu trabalho, pelo contrário, comporta-se como um palhaço, você o consideraria um bom cozinheiro? Claro que não.

Se um cozinheiro não higieniza os alimentos, mas do contrário, limpa seu nariz com o mesmo guardanapo que manueia a batata frita, você comeria o jantar preparado por ele? Entendeu?

Se um cozinheiro é mais enérgico nas suas atividades, enquanto outro é mais pacato, você reprovaria algum deles por seu temperamento? É claro que não.

Seria normal esperar que todos os cozinheiros fossem iguais? Não.

Relembrando o que Philips Brook disse(aula anterior) a pregação “é a comunicação da verdade de Deus através da personalidade do pregador”.

Uma dúvida constante dos alunos de homilética é se eles podem imitar outros pregadores. Nós afirmamos que sim, mas somente em uma condição. Que você tenha bem claro em sua mente essa é uma imitação pedagógica, isto é, assim como uma criança aprende muitas coisas por imitação, você aprenderá com esse recurso. Mas atenção, isso será uma imitação em alguns aspectos da oratória e por pouco tempo, pois o que importa mesmo é que você se descubra em Cristo, ou seja, que você descubra seu perfil pessoal de pregar moldado e tratado por Cristo.

Tipos de sermão

Em seminários e universidades cristãs aprendemos muitos tipos de sermões. São sermões biográfico, narrativo, temático, textual… expositivo. Como este curso é um passo-a-passo de como pregar a Palavra de Deus, voltado para iniciantes, torna-se inapropriado dissipar a atenção explicando os vários tipos de sermões. Basta saber o seguinte:

  1. a) O tipo de sermão que mais se aproxima da prática dos profetas, de Cristo e dos apóstolos e que possui eficácia reconhecidamente maior que qualquer outro é o sermão expositivo. Neste curso focamos este tipo de sermão.
  2. b) O sermão expositivo é o mais trabalhoso e talvez o mais difícil. Isso mesmo! O sermão expositivo exige competências maiores, mas é extremamente edificante para o pregador e para o ouvinte.
  3. c) É conveniente que o aluno pesquise os diversos tipos de sermão e sobretudo ouça pregações nesses modelos. Na área de recursos logo abaixo nesta página, deixaremos vídeos do youtube de pregações modelos.

Agora, com toda a informação tomada acima, vamos ao objetivo do sermão.

Ler, Explicar e Aplicar

Eis o objetivo do sermão. Ler, Explicar e Aplicar.

A leitura é a principal parte aqui. Se há algo que precisamos aprender bem, é ler a Bíblia. Há mais na leitura do que se imagina. A forma como você lê a Palavra de Deus definirá toda sua pregação. Trataremos melhor da leitura nas aulas de interpretação, portanto, aguarde.

A explicação é o trabalho que o pregador realiza no esforço de quebrar as barreiras da distância cultural em que a Palavra de Deus foi escrita e nosso tempo. Sem explicação a bíblia pode não fazer sentido algum. Veja por exemplo este versículo:

Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Pois mais fácil é passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus” (Lucas 18:24-25)

O que “agulha” era essa da qual Jesus fala? Sem uma explicação a bíblia torna-se incompreensível. No sermão o pregador deve ter a prática da explicação. Essa é uma tarefa intransferível.

A Aplicação diz respeito a uma conexão dos ensinamentos da Palavra de Deus com a vida e com os dilemas de cada ouvinte. Obviamente é impossível o pregador aplicar uma lição à cada circunstância da vida de seus ouvintes, mas é preciso propor alguns exemplos gerais de como colocar em prática a vontade de Deus hoje.

Vamos dar um exemplo da necessidade da aplicação para simplificar esse ponto. Supondo que você estivesse pregando sobre o segundo grande mandamento: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”(Mateus 22.39). É sabido que boa parte do nosso tempo de relacionamento com o próximo em nossos dias se dá por meio de redes sociais. Seria sensato falar sobre amor ao próximo sem mencionar como deve ser nossa conduta nas redes sociais?

Veja então que aplicar é também um trabalho intransferível.

Vamos encerrar esta parte com uma tirinha bastante instrutiva. Guarde-a em sua mente e coração, pois este é o nosso objetivo:

 

Conclusão e exercício

Aprendemos hoje que o pregador deve ter bem definido em sua mente o que é a Palavra de Deus. Deve lê-la cuidadosamente, extraindo a mensagem. Esta mensagem precisa ser organizada de uma forma em que possa ficar inteligível e compreensível aos ouvintes para que a Palavra seja penetrante e efetiva. O pregador deverá levar em consideração sua personalidade própria e a forma do sermão que ele quer pregar, analisando sua eficiência para que atinja os objetivos o sermão que são ler, explicar e aplicar a mensagem da Palavra de Deus.

Exercício:

Escolha duas passagens da bíblia e diga-nos qual é a principal mensagem que a passagem ensina. Poste nos comentários abaixo.

 

Que o Senhor Jesus te abençoe e te guarde sempre!

Ame a sua família! Foi Deus quem a deu a você!

Conecteca da Vida!

 

 

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