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Auxílios Internos para a Explicação de Palavras

FONTE: “Princípios de Interpretação Bíblica – Para Orientação individual no estudo das Escrituras e para uso em seminários e institutos bíblicos”de Louis Berkhof – Editora Cultura Cristã.

É parte Integrante da AULA 08 – O SIGNIFICADO DAS PALAVRAS NO SEU CONTEXTO – PARTE II​ do Curso Gratuito de Introdução à Pregação da Palavra de Deus realizado pela CONECTECA DA VIDA e pela FanPage Como Pregar a Palavra de Deus. 

 

É natural que surja a questão quanto ao melhor modo pelo qual um intérprete pode descobrir o significado de uma palavra em dado contexto. Pode-se dizer que o modo mais efetivo seja o de consultar um Léxico padrão ou alguns bons comentários. E, em muitos casos, isso pode ser completamente suficiente, mas, em outros, pode ser necessário que o expositor julgue por si mesmo. Sempre que for esse o caso, ele terá de recorrer ao uso de auxílios internos. Os seguintes são os mais importantes:

  • As Definições ou Explicações qije os Próprios Autores Dão às Suas Palavras Constituem um dos Mais Eficientes Auxílios. Ninguém melhor do que o autor sabe que sentido particular ele vinculou a uma palavra. Os seguintes exemplos podem servir para ilustrar isso: Gn 24.2, “Disse Abraão ao seu mais antigo servo da casa”, ao que é acrescentando como definição, “que governava tudo o que possuía”. 2Tm 3.17, “afim de que o homem de Deus seja perfeito”, indicando que o homem de Deus devia ser “perfeitamente habilitado para toda boa obra”. Hb 5.14, “Mas o alimento sólido é para os adultos” (ou perfeitos), o que é explicado pelas seguintes palavras, “para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal”.

  • O Sujeito e o Predicado de uma Proposição se Explicam Mutuamente . Em Mt 5.13, onde lemos: “se o sal vier a ser insípido”, o significado do verbo moranthei, que também pode significar se tornar louco (cf. Rm 1.22), é determinado pelo sujeito, sal. Em Rm 8.19-23, o significado do sujeito, criação, é limitado pelos vários predicados. Os anjos bons são excluídos pelo versículo 20; os maus, pelos versículos 19-21. Os mesmos versículos tomam impossível a inclusão dos homens maus, enquanto o versículo 23 também exclui os filhos de Deus. A idéia é, portanto, limitada à criação irracional e inanimada.

  • O Paralelismo Pode Ajudar na Determinação do Significado de uma Palavra. Isso se aplica especialmente aos sinónimos e ao paralelismo antitético. No SI 7.13 lemos: “para ele preparou já instrumentos de morte”, o que é explicado pela parte seguinte: “preparou suas setas inflamadas”. Em ls 46.11, o Senhor diz de si mesmo que ele “chama a ave de rapina desde o Oriente”, e a explicação disso se encontra no paralelismo: “e de uma terra longínqua, o homem do meu conselho”. Também, em 2Tm 2.13, Paulo afirma a respeito de Deus que “Ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo”. A primeira expressão explica a segunda, o que em Lc 9.23 significa sacrificar os prazeres e interesses pessoais. Em Pv 8.35 lemos: “Porque o que me acha acha a vida”; e na parte antitética do paralelismo no versículo seguinte: “Mas o que peca contra mim violenta a própria alma”. A primeira explica a segunda e mostra claramente que o verbo chata’ é usado, aqui, no seu sentido original, isto é, errar o alvo. Consequentemente, poderíamos ler: “Mas aquele que me erra…”

  • As Passagens Paralelas Também Constituem um Auxílio Importante.

Estas são divididas em duas classes, a saber, verbal e real. “Quando a mesma palavra ocorre em contextos semelhantes, ou em referência ao mesmo assunto geral, o paralelo é chamado verbal… Paralelos reais são aquelas passagens similares nas quais a semelhança ou identidade consiste não de palavras ou frases, mas de fatos, assuntos, sentimentos ou doutrinas” (Terry, Biblical Hermeneutics, p. 221). Os paralelos verbais estabelecem pontos de uso linguístico, enquanto os paralelos reais servem para explicar pontos de interesse dogmático, ético e histórico. Por ora, estamos interessados apenas nos paralelos verbais, que podem servir para explicar uma palavra obscura ou desconhecida. E possível que nem a etimologia de uma palavra, nem o contexto na qual ela é encontrada, sejam suficientes para determinar seu significado exato. Nesses casos, o estudo das passagens paralelas, nas quais a mesma palavra é encontrada em contexto semelhante ou em referência ao mesmo assunto geral, é extremamente significativo. Cada passagem consultada deve, naturalmente, ser estudada no seu contexto.

Ao valer-se do auxílio de passagens paralelas, o intérprete deve estar certo de que elas são realmente paralelas. Nas palavras de Davidson: “Não é suficiente que o mesmo termo ou frase sejam encontrados em ambos; deve haver similaridade de sentimento”. Por exemplo, Jn 4.10 e lTs 5.5 não são para- leias, embora a expressão “fílho(s) da noite” seja encontrada em ambas. Também não são paralelas Pv 22.2 e 29.13, embora sejam, muitas vezes, consideradas como tais. (Cf. Terry, Biblical Hermeneutics, p. 221). Além disso, é necessário que a frase ou expressão que pede explicação seja mais clara em uma passagem do que na outra, uma vez que é impossível explicar uma passagem obscura com outra igualmente obscura. Quanto a isso, é necessário observar que o intérprete deve se guardar contra o erro de tentar ilustrar uma passagem perfeitamente clara com outra menos compreensível. Esse procedimento é frequentemente seguido por aqueles que estão interessados em escapar da força dos ensinos positivos da Bíblia. Além disso, enquanto as passagens paralelas podem ser citadas de qualquer parte da Escritura, é desejável observar uma certa ordem. O intérprete deve procurar paralelos, primeiramente, nos escritos do mesmo autor, desde que, como Davidson nota: “as mesmas peculiaridades de concepção e modos de expressão são sujeitas a reaparecerem em obras diferentes que procedem de uma mesma pessoa”. A seguir, as obras de contemporâneos devem ser consultadas antes das de outros. Novamente, o senso comum dita que os escritos da mesma classe têm prioridade sobre os que pertencem a classes diferentes.

Ao ilustrar o uso de passagens paralelas, faremos a distinção entre as que são assim chamadas de forma própria e imprópria.

  1. Paralelos de palavras apropriadamente assim chamadas. Em Cl 1.16, lemos: “pois, nele (Cristo), foram criadas todas as coisas”. A vista do fato de que a obra criadora aqui é atribuída a Cristo, alguns arriscam a opinião de que a expressão “todas as coisas” (panfa) refere-se a toda a nova criação, embora o contexto favoreça a idéia de universo. A questão agora levantada é se há qualquer passagem na qual a obra da criação é atribuída a Cristo, e a possibilidade de uma referência à nova criação é excluída. Essa passagem é encontrada em I Co 8.6, onde a expressão ta panfa é usada para todas as coisas criadas, e a obra criadora é atribuída igualmente ao Pai e ao Filho. Em Is 9.6, o profeta diz: “Porque um menino nos nasceu… e o seu nome será… Deus Forte (EI gibbor)”. Gesenius não encontra referência a Deus aqui, e traduz essas palavras como “herói poderoso”. Mas, em ls 10.21, a mesma frase é usada num contexto no qual só pode referir-se à Deidade. Jo 9.39 contém a declaração: “Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem se tornem cegos”. A palavra krima (juízo) denota geralmente um juízo de condenação. Mas a frase final, nesse caso, parece demandar um significado mais amplo do juízo em geral, e surge a questão sobre se a palavra é sempre usada nesse sentido. Rm 11.33 responde a essa dúvida, pois lá, a mesma palavra, indubitavelmente, tem um significado geral.
  1. Paralelos de palavras ou frases impropriamente assim chamadas. Esses podem ser chamados de paralelos impróprios uma vez que não contêm as mesmas palavras, mas, sim, expressões ou palavras sinónimas. Os casos em que uma expressão é mais completa numa passagem do que em outra também podem ser assim classificados. Em2Sm8.18, lemos: Os filhos

de Davi, porém, eram seus cohanim” (geralmente traduzido por sacerdotes). Gesemus afirma que a palavra sempre significa sacerdotes, enquanto Fuerst afirma que ela pode significar príncipes, praefecti, sensu civili. A última opinião é confirmada pela passagem paralela em 1 Cr 18.17, onde, em uma enumeração similar à de 2Sm 8, lemos: “ – Os filhos de Davi, porém, eram os primeiros ao lado do rei [príncipes] (ri ‘shonim)”. Mt 8.24 diz: “E eis que sobreveio no mar uma grande seismos”. Essa palavra significa realmente terremoto, mas aqui o contexto parece apontar para um significado diferente. Isso é confirmado pelas passagens paralelas, Mc 4.37 e Lc 8.23, onde a palavra lailaps é usada com o significado de vendaval ou um vento tempestuoso. E também, em Hb 1.3, lemos: “. .. depois de ter feito (di’ heaulou) a purificação dos pecados”. A expressão significativa diheautou é explicada pela passagem paralela em Hb 9.26, que diz: “… para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado”.

Bibliografia:

Terry, BihlicalHermeneutics, pp. 79-88; 119-128;

Immer, Hermeneutics, pp. 159-183;

Muenscher, Manual, pp. 107-128;

Davidson, Sacred Hermeneutics, pp. 225-252;

Elliott, Bihlical Hermeneutics, pp. 101 -116;

Fairbaim, Hermeneutics, pp. 79-106;

Lutz, Bihlical Hermeneutics ,pp. 186-226.

 

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