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Auxílios Internos para se Determinar se o Sentido Pretendido é o Figurado ou o Literal.

(ESTE CONTEÚDO É PARTE INTEGRANTE DA AULA 08 parte III do Curso Gratuito de Introdução à Pregação da Palavra de Deus).

E da maior importância, para o intérprete, saber se uma palavra foi usada no sentido literal ou figurado. Os judeus, e até mesmo os discípulos, muitas vezes se enganaram seriamente por interpretar literalmente o que Jesus disse de modo figurado. Cf Jo 4.11,32; 6.52; Mt 16.6- 12. Não compreender que o Senhor falou figuradamente quando disse “Isto (é) o meu corpo” tomou-se até mesmo uma fonte de divisão nas igrejas da Reforma. Portanto, é de extrema relevância que o intérprete tenha segurança quanto a isso. As seguintes considerações podem fornecer subsídios para resolver essa questão.

a) Há certos escritos nos quais o uso da linguagem figurada é, a priori, impossível. Entre estes estão as leis e todos os tipos de instrumentos legais, escritos históricos e obras estritamente filosóficas e científicas e as Confissões. Estes almejam, primeiramente, a clareza e a precisão, e a beleza fica em segundo plano. Porém, é bom lembrar que a prosa dos orientais é muito mais figurada do que a dos povos ocidentais.

b) Há uma antiga regra hermenêutica, frequentemente repetida, de que as palavras devem ser entendidas no seu sentido literal a não ser que a interpretação literal envolva uma contradição evidente ou um absurdo. Deve-se observar, no entanto, que na prática isso depende, meramente, do julgamento racional de cada pessoa. O que parece ser absurdo ou improvável para alguém pode ser considerado como perfeitamente simples e lógico para outro.

c) O meio mais importante para se determinar se uma palavra foi usada literal ou figurativamente num certo contexto é encontrado no auxílio interno ao qual já nos referimos. O intérprete deve considerar estritamente o contexto imediato, os adjuntos de uma palavra, o caráter do sujeito e dos predicados atribuídos a ele, o paralelismo – se presente -, e as passagens paralelas.

Princípios Úteis na Interpretação da Linguagem Figurada da Bíblia.

A questão aqui é sobre a interpretação da linguagem figurada da Bíblia. Embora o intérprete deva usar os auxílios internos comuns que acabamos de mencionar, há certos pontos especiais que ele não deve deixar de observar.

a) E da maior importância que o intérprete tenha um conceito claro das coisas nas quais as figuras estão baseadas, ou de onde foram extraídas, uma vez que o uso de tropos é baseado em semelhanças ou relações.

 A linguagem figurada da Bíblia é derivada especialmente

(1) dos aspectos físicos da Terra Santa,

(2) das instituições religiosas de Israel,

(3) da história do antigo povo de Deus e

(4) da vida cotidiana e dos costumes dos vários povos que ocupam um lugar proeminente na Bíblia.

Essas coisas, portanto, devem ser entendidas para que se possa interpretar as figuras derivadas delas. No SI 92.12, lemos: “O justo florescerá como a palmeira, crescerá como o cedro no Líbano'”. O expositor não pode esperar interpretar essa passagem a não ser que as características da palmeira e do cedro lhe sejam familiares. Se ele quer explicar o SI 51.7: “Purifica-me com hissopo, e ficarei limpo”, ele deve ter algum conhecimento do método de purificação cerimonial de Israel.

b) O intérprete deve ter o objetivo de descobrir a idéia principal, o tertium comparationis, sem dar muita importância aos detalhes.

Quando os autores bíblicos usavam figuras como as metáforas, geralmente tinham algum ponto específico ou pontos de correspondência em mente. Mesmo se o intérprete puder encontrar niais pontos de correspondência, ele deve se limitar aos pretendidos pelo autor. Em Rm 8.17, Paulo diz, em um arroubo de segurança: “Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo”. É perfeitamente evidente que ele se refere às bênçãos que os crentes recebem, com Cristo, de seu Pai comum. A metáfora contida na palavra “herdeiro” seria tremendamente forçada se a interpretássemos como implicando a morte do Pai como o testador. O perigo que seria aplicar uma figura em todos os particulares aparece claramente numa passagem como Ap 16.15, onde lemos: “Eis que venho como vem o ladrão”. A relação irá, geralmente, determinar, em cada caso, até onde uma figura deve ser aplicada.

c) Com respeito à linguagem figurada que se refere a Deus e à ordem eterna das coisas, o intérprete deve ter em mente que ela geralmente oferece apenas uma expressão muito inadequada da perfeita realidade.

Deus é chamado de Luz, Rocha, Fortaleza, Torre alta, Sol e Escudo. Todas essas figuras transmitem alguma idéia do que Deus é para o seu povo; mas nenhuma delas, nem todas juntas oferecem uma representação completa de Deus. Quando a Bíblia descreve o redimido como vestido com o manto da salvação, revestido da couraça da justiça, coroado com a coroa da vida e sustentando as palmas da vitória, as figuras nos dão, na verdade, apenas uma idéia muito imperfeita da sua glória futura.

d) O discernimento quanto às figuras da Bíblia pode ser testado, a um certo grau, pela tentativa de expressar os pensamentos que elas transmitem numa linguagem literal.

Porém, é necessário ter em mente que grande parte da linguagem figurada da Bíblia desafia esses esforços. Isso se aplica particularmente à linguagem na qual a Bíblia fala de Deus e das coisas eternas.

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