Lição 04 - O que vem Antes da Interpretação da Bíblia - Conecteca da Vida

O QUE VEM ANTES DA INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA

Por Conecteca da Vida

INTRODUÇÃO

 

Seja bem-vindo querido(a) aluno(a) a nossa aula!

 

Chegou a hora de pôr a mão na massa, melhor, no material de estudo!

 

Mas como você já deve ter percebido, nós da Conecteca da Vida não importamos somente em fazer as coisas, nos preocupamos também sobre como as fazemos. É por isso que antes de iniciarmos a prática da interpretação da Palavra de Deus, devemos conferir se estamos no rumo certo. Para isso, vamos ver rapidamente cinco itens:

1. Definição de Hermenêutica e Exegese.

Hermenêutica vem de uma palavra do grego antigo “hermēneuein” e significa “interpretar”, “esclarecer” e “traduzir”. Tem o sentido de tornar uma palavra/mensagem “clara”, “compreensiva”. Este termo vem do nome “Hermes”, confira na Wikipédia.

O termo Exegese também vem do grego antigo e significa “narração expositiva”. Uma tradução literal da palavra em grego seria: “trazer para fora”. É o trabalho do exegeta(pessoa que faz exegese) em “tirar o sentido real do texto”. Veja mais na Apostila de Introdução à pregação em nossa sessão de Recurso.

 

Aqui neste módulo de nosso curso de introdução à pregação fazermos uma iniciação em ambas, hermenêutica e exegese. Por isso, nosso objetivo é “interpretar” o texto bíblico “extraindo o seu sentido correto” para que a verdade da Palavra de Deus fique “clara” aos ouvintes.

  1. Pressupostos fundamentais


Pressupostos são crenças e convicções que estão sempre presentes em nossos corações e que podem alterar completamente o rumo do que fazemos.

Veja como isso é sério. Numa cidade em que plantamos uma Igreja havia um senhor que praticava a macumbaria. Estranhamente, todos os dias, ele se assentava à frente de sua casa voltado para a rua e lia a Bíblia. Ele não conseguia ver qualquer incompatibilidade nessas duas práticas, porque os pressupostos que ele tinha acerca da Bíblia não lhe permitia ver a seriedade da repreensão que a Bíblia faz a questão da feitiçaria.

A Bíblia, para um homem que não está sob a direção do Espírito Santo, permanece sem qualquer efeito salvífico.

 

Veja abaixo os pressupostos(o que vem antes) da Interpretação da Bíblia:

  1. A existência de Deus. A Bíblia não se propõe a provar que Deus existe. Ela trata a existência de Deus como o fundamento mais óbvio.
  2. A Revelação é progressiva. Leia Hebreus 1.1-2. A revelação de Deus na bíblia evolui dos modos mais primitivos do AT, como sonhos, visões à manifestação do próprio Deus em forma de homem, Jesus.
  3. Inspiração e autoridade. A Bíblia é inspirada por Deus e é a autoridade sobre a vida do crente – única regra de fé e prática. 2 Tm.3.16-17.
  4. História da Redenção. O enredo da Bíblia é de como Deus planejou e realizou a nossa salvação em Cristo Jesus.
  5. Cristo é o centro das escrituras. “Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém”.(Rom 11:36)
  6. Canon completo e fechado. Judas 1.3.
  7. A Bíblia é um livro tanto divino como humano.

A Bíblia é o livro de Deus – a obra do Espirito Santo – 2 Tm. 3.16.

  1. Revelação – O Espírito Santo revelou a vontade de Deus.
  2. Inspiração – O Espírito Santo moveu os autores bíblicos a escrever a revelação que mesmo deu.
  3. Iluminação – O Espírito Santo “abre” o coração do pecador para que este compreenda o que foi escrito na Palavra.

A Bíblia é também um livro humano – escrito por homens – 2 Pe. 1.21

  1. Foi escrita por homens pecadores, mas separados(“santos”) e preservados para esta tarefa.
  2. Foi escrita numa cultura, língua e época bem diferente da nossa.
  3. Possui um distanciamente enorme de contexto que precisa ser vencido pelo estudo dedicado.
  1. Erros consagrados pela história que não devem ser repetidos. 
 

Depois do estudo da Bíblia, o estudo da história da Igreja, melhor ainda, o estudo da história do pensamento cristão, pode lhe dar o mais rico material de compreensão da Igreja atual e seus erros. Vamos alguns erros de maneiras de interpretar a Bíblia:

 

A) Interpretação humanística.

É possível uma pessoa não espiritual interpretar um texto bíblico corretamente? A resposta é, sim.

É correto uma pessoa interpretar corretamente um texto bíblico, mas isso não ter nenhum valor para sua vida espiritual? Não.

Se um ateu usar as técnicas corretas de interpretação de um texto bíblico ele pode chegar a conclusões corretas sobre o sentido do texto, mas não lhe aproveitará nada, pois sua interpretação não está sob a direção do Espírito Santo.

 

O erro desse ramo da interpretação é que ele é apenas “literário e acadêmico”. Daqui saíram os chamados “liberais”(descrentes dos fundamentos dos Evangelho). O maior progresso desse erro se deu do sec. 18 à 20, mas seus estragos foram tão grandes que até hoje a igreja não se recuperou deles.

Esse erro não atacou somente a pregação do Evangelho, atacou o próprio Evangelho, atacou a Bíblia. Gerou um grande número de “ateus”-”cristãos”(impensável), matou igrejas na Europa e em outros continentes e até hoje assola a igreja.

 

A interpretação humanística tem como característica evitar qualquer sentido espiritual do texto bíblico, levando o leitor/intérprete a tirar lições psicológicas, moralistas, com pouco ou nenhum enredo da eternidade e do Eterno. A Bíblia passa a ser uma fonte de auto-ajuda, de costumes que tornam o ser humano uma pessoa “do bem”, uma fonte de técnicas materialistas de marketing, uma biblioteca de gêneros literários; porém, sem o Deus que intervém.

 

Este erro é mais comum em centros acadêmicos. Fuga dele meus amados irmãos! Fuga dele!

 

 

B) Espiritualista.

Este erro é bastante comum hoje em dia assim como já o foi pelos séculos anteriores. O espiritualista cai em dois problemas: subjetivismo e misticismo(pesquise sobre eles depois). São praticados geralmente por pessoas que não gostam de estudar e usam erroneamente o textos de 2 Coríntios 3.6 “a letra mata, mas o Espírito vivifica” como justificativa para o seu erro.

 

Um exemplo prático de interpretação espiritualista para facilitar o nosso entendimento: Alguém lê o texto de Gênesis 12.1: “Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei”. Daí ele conclui: “Deus está me mandando sair da minha cidade e ir para outro lugar. Este é um sinal espiritual para minha vida”.

 

Estas práticas são geralmente “intuitivas” como o abrir a Bíblia ao acaso e atribuir sentido ao que se lê.

 

C) Alegorias Espiritualistas

O método alegórico foi muito usado pela escola alexandrina de interpretação, tendo como principais intérpretes Clemente de Alexandria e Orígenes. Neste método antigo, o mais notável é a criatividade do intérprete, não o sentido real do texto.

 

Há um exemplo clássico de interpretação desse método vem de Orígenes sobre a passagem do Bom Samaritano. Veja nas palavras de Anglada:

“O homem atacado pelos ladrões simbolizava Adão (a humanidade); Jerusalém, os céus; Jericó, o mundo; os ladrões, o diabo e suas hostes; o sacerdote, a lei; o levita, os profetas; o bom samaritano, Cristo: o animal sobre o qual foi colocado o homem ferido, o corpo de Cristo (que suporta o Adão caído); a estalagem, a igreja; as duas moedas, o Pai e o Filho; e a promessa do bom samaritano de voltar, a segunda vinda de Cristo”.

Note que não se pergunta qual foi o objetivo do autor ao escrever esta passagem.

 

D) A “Nova Hermenêutica”

Lamentavelmente é a mais usada. Nem mesmo a maioria dos seus praticantes a conhecem. Ela tem o poder de roubar o sentido do texto e empoderar o leitor/interprete sem que este tenha qualquer autorização da parte de Deus. A “nova hermenêutica” é uma neta da filosofia do alemão, Martin Heidegger. Você poderá sobejamente nas telas da TV e na internet. É outro tipo de espiritualização do texto, só desta vez, o sentido não tem nada a ver com o texto, mas como o “momento” e a “circunstância” que o leitor está passando.

Exemplo: As muralhas de Jericó caíram após os israelitas a rodearem sete vezes. Meus problemas caírão após eu orar numa campanha de sete dias.

 

Este erro ocorre mais costumeiramente em ambientes de baixa intelectualidade. Geralmente está ligado a pessoas que vieram de religiões animistas ou nascidos na cultura pós-moderna. Fujam destes erros meus amados irmãos! Fujam deles para que suas almas não sejam empobrecidas até à morte.

 

 

  1. Os “dois remos” da Interpretação Bíblica.

“Dois remos” foi a maneira e dos grandes homens de Deus achou para ilustrar as atividades principais da interpretação, oração e estudo.

 

Os maiores pregadores da Palavra de Deus na História da Igreja nos deixaram um legado maravilhoso. Este legado é um antídoto contra os erros citados acima. Um grande homem de Deus usava três palavras latinas para a interpretação da Palavra de Deus: “Orare et Labutare” que significam: “Oração e Trabalho”. Se os autores dos erros que citamos acima tivessem dado ouvidos à estas três palavrinhas jamais a Igreja mergulharia numa crise tão abissal, nem a pregação seria tão vazia.

ORAÇÃO: Oramos porque a Bíblia é um livro divino, espiritual. Só é possível fazer uma interpretação correta e edificante se mantivermos nossa dependência de Deus. Se a compreendermos que ela fala de coisas elevadas demais para a mente humana forjar.

TRABALHO: Trabalhamos, isto é, estudamos e pesquisamos, porque a Bíblia é também um livro humano, escrito por homens que viveram em outra época, outra cultura, outro tempo, outras línguas, outra mentalidade. Isso dificulta em muito nosso entendimento e nos dá o dever trabalhar para minimizar as diferenças.

ORAÇÃO E TRABALHO: Não pode ser um sem o outro. Ambos devem andar juntos.

Há alguns irmãos que não pregam,  porque têm medo e têm medo porque não oram, não recebem poder “do alto”. Estão errados. Mas há irmãos que não estudam e estão cheios de coragem, mas quando falam, deságuam mentiras que entristecem o coração de Deus.

Graças a Deus pelos homens e mulheres que se apropriam do “orare et labutare” e são grandemente usados pelo Espírito Santo!

 

Seja você um destes!

INTERPRETAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS

nova doutrina

Figurinha tirada do livreto “Manual para Pregadores Iniciantes” da Edições Vida Nova

  1. Apelo ao coração do intérprete.

 

Rejeite as suas inclinações da carne.

O maior adversário da boa interpretação pode ser nosso próprio coração. Nos diz a Palavra: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?”Jer 17:9. Leve isso em consideração!

Recentemente uma senhora que abandonou seus remédios de controle, tendo ela uma mágoa enorme de seu ex-marido, descobriu que seu filho foi visitar o detestado por ela. No dia seguinte ela lia a bíblia e viu em Miquéias o seguinte texto:

“Não creiais no amigo, nem confieis no vosso guia; daquela que repousa no teu seio, guarda as portas da tua boca.

Porque o filho despreza ao pai, a filha se levanta contra sua mãe, a nora contra sua sogra, os inimigos do homem são os da sua própria casa”.(Mic 7:5-6)

Depressa ela escreveu estes versos numa folha de papel e passou a afirmar que Deus mostrara a ela o quão perigosos são seus filhos.

 

Quando for interpretar a Bíblia certifíque-se de que seu coração está em inteira dependência de Deus e quer ouvir a voz de Deus. Seu coração não deve esperar que Deus fale o que ele quer.

 

Busque a Verdade a qualquer custo.

No seu entender, um sermão para ser edificante deve ter quais destas características: VERDADEIRO, COMPREENSIVO ou EMPOLGANTE?

Muitas pessoas procuram um sermão empolgante, mas nossa prioridade é primeiro que seja VERDADEIRO e segundo COMPREENSIVO. Daí a necessidade de uma interpretação bíblica que seja correta.

 

Mantenha seu compromisso com Deus de falar somente o que Ele mandou falar.

Não é um propósito fácil de se manter, mas é necessário. Antes de começar qualquer trabalho de interpretação, lembre-se de que a passagem que você vai interpretar possui UM SENTIDO PRETENDIDO PELO AUTOR, você deve descobri-lo com precisão e manter-se fiel à esse sentido, pois foi esta a mensagem do Espírito Santo à nossos irmãos no passado e será a mensagem de Deus para nós hoje.

 

 

 

 

CONCLUSÃO

 

Chegou a hora do exercício semanal, mas vamos antes revisar.

Você já sabe que o trabalho de um intérprete da Palavra é esclarecer com precisão o sentido da passagem escolhida. Para isso você precisa ter os pressupostos corretos de um bom intérprete das Escrituras, você os têm? É capaz de identificar os principais erros de interpretação que se mostraram destruidores ao longo da história da Igreja? Pode evitá-los?

Você anda sempre com preparado com os “dois remos” da interpretação? Tem certeza que não deixou algum deles abandonado? E como vai seu coração? Está firme no propósito de buscar somente a Palavra de Deus?

 

Agora pegue a sua Bíblia, escolha um texto e procure a pôr em prática o que aprendemos.

Que o Senhor lhe abençoe e lhe guarde!

 

Soli Deo Gloria!

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