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As palavras não existem para si mesmas. Até o simples “não” é uma resposta a algo que acabou de ser dito. Toda palavra tem um contexto. Algo foi dito antes e algo virá depois. Não estamos apenas falando sobre frases e sentenças, mas também sobre o tipo de literatura em que essas frases e sentenças foram escritas. Isto é algo ao que devemos dar atenção cuidadosa, enquanto procuramos descobrir o significado intencional de uma parte específica da Palavra de Deus.

Existem inúmeras leis na Bíblia, especialmente na primeira parte do Antigo Testamento. As leis foram escritas em forma de prosa, bem como os relatos históricos. Mas o estilo que usamos para falar uns com os outros é bem diferente. Tornamos nossa conversa mais interessante por usarmos todo tipo de linguagem fgurada — “Ela é uma fera”, “Ele caiu do cavalo!”, “O feitiço virou-se contra o feiticeiro”, “Ele é uma besta!”. Todos sabemos que essas frases não devem ser entendidas literalmente, mas compreendemos o seu signifcado. Portanto, é evidente que a prosa e a conversa pessoal não devem ser interpretadas da mesma maneira. Isto também é verdade quando lemos a Bíblia.

Não podemos interpretar da mesma maneira todo tipo de literatura. Além da prosa usada na Lei e nos relatos históricos, conforme já mencionamos, existe abundância de poesia na Bíblia: uma parte dessa poesia se encontra no livros de Jó, Salmos e Cântico dos Cânticos; outra parte, nos livros proféticos; e outra parte, em seções longas ou curtas de outros livros das Escrituras. Encontramos também a literatura sapiencial, os evangelhos e as epístolas. E temos ainda a linguagem apocalíptica — uma maneira de argumentar usando linguagem exagerada, números, figuras de monstros e visões extraordinárias. Se lêssemos todos esses tipos de literatura da mesma maneira, ficaríamos realmente bastante confusos!

Embora tenhamos diferentes tipos de literatura na Bíblia, jamais devemos esquecer de prestar atenção ao sentido gramatical de tudo que lemos. Mas, ao fazer isso, devemos gastar tempo para recordar que o significado literal de uma passagem pode não ser, necessariamente, o seu significado intencional. E este é o significado que estamos buscando.

Por exemplo, ao escrever a respeito de um tempo de alegria extraordinária, Isaías predisse: “E todas as árvores do campo baterão palmas” (Is. 55.12). O que ele pretendia dizer? Com certeza, Isaías não estava dizendo que as árvores desenvolverão novas qualidades admiráveis em algum tempo futuro! De modo semelhante, a afirmação “o justo florescerá como a palmeira” (Sl 92.12) não ensina que os crentes idosos brotarão. Igualmente, a exortação “acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas” (Mt 7.15) não é uma advertência contra pregadores que vestem casacos feitos de lã! Não podemos entender estas afirmação sem assimilarmos o sentido gramatical das suas palavras, mas nenhum de nós é demasiadamente tolo, a ponto de pensar que o sentido literal de tais palavras é o significado intencional. É esse significação intencional que nossa exegese procura descobrir, para depois pregarmos em público.

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