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As palavras são encontradas em frases e sentenças; e sentenças formam, geralmente, parágrafos. Esses parágrafos, por sua vez, fazem parte de algo maior, como um capítulo. E os capítulos são partes de um livro. Também precisamos ter isso em mente quando nos dedicamos à exegese.

Se ignorarmos o contexto imediato e o contexto mais amplo, podemos fazer a Bíblia afamar o que desejamos que ela afirme. O material que constitui este livro sobre pregação foi apresentado originalmente em forma de palestras. Todas as palestras foram gravadas. Agora, imaginemos alguém comprando uma fita cassete ou CD e gastando tempo para editar as palestras. Imaginemos que essa pessoa mantém cada sentença intacta, mas usa seus aparelhos eletrónicos para colocar as sentenças em ordem diferente.

Depois de fazer isso, tal pessoa coloca um anúncio num jornal evangélico e começa a vender seus próprios cassetes e CD.A voz na gravação seria a minha. Cada sentença seria minha, exatamente como as proferi. Mas a palestra seria outra. Talvez pareceria uma miscelânea de sentenças incoerentes ou teria um significado diferente do que eu tencionava originalmente.

Isto é exatamente o que acontece quando pregamos sobre uma frase ou sentença da Bíblia e não esclarecemos o seu contexto imediato ou mais amplo. Quantas vezes já ouvimos “importa-vos nascer de novo” sendo pregado como um mandamento. Isto é uma total distorção do seu significado. Pregar essas palavras como um mandamento equivale a enganar cada adulto e cada criança que nos ouve. O novo nascimento não é ordenado em nenhum lugar da Bíblia. O arrependimento é ordenado. A fé no Senhor Jesus também é ordenada.

Mas o novo nascimento não é, nem pode ser, ordenado na Bíblia, porque é uma obra realizada completamente por Deus. Quando nosso Senhor disse a Nicodemos: “Importa-vos nascer de novo”, estava fazendo uma declaração veemente do fato. Essa é a verdade que tem de ser enfatizada a qualquer congregação que nos ouve em nossos dias. Pregar qualquer outro significado não é somente uma falta de exatidão exegética, é também um pecado.

Em várias ocasiões, ouvi sermões que mencionam 1 Coríntios 2.9, um versículo em que Paulo se refere a Isaías 64.4. A parte principal deste versículo diz: “Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam”.
Todos os pregadores que ouvi usaram este versículo para falar sobre o céu. Fizeram isso porque tiraram as palavras de seu contexto. 1 Coríntios 2 não é um capítulo que fala sobre o céu, mas sobre o fato de que o povo do Senhor pode ver e apreciar coisas que estão escondidas para os não-convertidos.

Que privilégio extraordinário nós temos! Que coisas maravilhosas podemos ver! O coração não-convertido é incapaz até de imaginar essas coisas. Mas essas são as coisas que nos emocionam completamente. Este é o assunto do versículo. Por isso, tanto é errado como prejudicial dar-lhe um significado que o autor divino não tencionava que ele tivesse.

Dedicar-se mais é a única maneira de evitar erro exegético. Antes de pregar sobre qualquer parte de um livro da Bíblia, devemos ter familiaridade com todo o livro. Não somente isso, devemos possuir um entendimento competente a respeito de quem o escreveu, para quem, por que e quando o escreveu. O quando é especialmente importante, pois é a razão da nossa próxima pergunta.

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